Arquivo de março \25\UTC 2010

O hipertexto, o design canônico, o design não-canônico e o design cambiante

Desde sempre o homem vem em busca da informação. Na hierarquia da sociedade atual, aquele que possui a informação necessária para o momento é o que detêm poder. A função do design gráfico é passar mensagens e informações por meio de peças gráficas normalmente aplicadas sobre o suporte de papel, ou seja, está ligado de forma íntima à sociedade pela informação, sendo influenciado pelo contexto do momento.

Para a mensagem conseguir ser entendida pelo receptor, o designer deve conhecer o caminho que uma informação percorre pelas referências do observador. Estas referências estão como numa grande rede interligada, denominada hipertexto desde 1945 por Venevar Bush.

A questão do hipertexto é trabalhada e exemplificada pelo filósofo da informação Pierre Levy: “Quando ouço uma palavra, isto ativa imediatamente em minha mente uma rede de outras palavras, de conceitos, de modelos, mas também de imagens, sons, odores, sensações proprioceptivas, lembranças, afetos, etc. Por exemplo, a palavra ‘maçã’ remete aos conceitos de fruta, de árvore, de reprodução; faz surgir o modelo mental de um objeto basicamente esférico, com um cabo saindo de uma cavidade, recoberto por uma pele de cor variável, contendo uma polpa comestível e caroços, ficando reduzido a um talo quando o comemos; evoca também o gosto e a consistência de diversos tipos de maçãs, (…); traz de volta memórias de bosques normandos de macieiras, de tortas de maçã, etc. A palavra maçã está no centro de toda essa rede de imagens e conceitos que, de associação em associação, pode estender-se a toda a nossa memória. Mas apenas os nós selecionados pelo contexto serão ativados com força suficiente para emergir em nossa consciência.” (LEVY, Pierre. As tecnologias da Inteligência, Editora 34).

Na peça gráfica, a busca por essa referência (Colocamos aqui como referência a ideologia da mensagem, idéia a ser transmitida, ou maneira a induzir a leitura. Os estilos, movimentos e classificações do design moderno, pós-moderno e supermoderno possuem cada um sua ideologia construída de acordo com o período e a situação social, política e cultural de sua época de duração.) se dá por meio da busca de movimentos e estilos que transmitam essa mensagem.

Como exemplo podemos citar a estrutura gráfica de um periódico tradicional e conservador. O designer que prepara a estrutura para uma publicação como esta se espelha na ideologia Bauhausiana (Escola Alemã de Arquitetura e Design Bauhaus, ícone do design canônico ou moderno) e na teoria Funcionalista, assim como diz Ana Cláudia Gruzynski: “Os princípios norteadores do design sistematizado na Bauhaus envolvem a concepção dos projetos e determinação dos elementos gráficos que dele fazem parte. Sua raiz é a noção de funcionalidade que é anterior à própria escola. Contudo, o caráter praticamente dogmático e intrisecantemente ligado ao good design toma corpo a partir daí.“(GRUZYNSKI, Ana Cláudia. Design Gráfico: Do Invisível ao Ilegível, Editora 2AB).

Então, o designer fará uso tanto da ideologia da escola, quanto suas técnicas e
métodos de construção de página. Ou seja, um grid (grade para posicionamento de elementos) será construído, uma tipografia adequada à leitura será escolhida, não será utilizado nenhum tipo de ornamento ou elemento desnecessário, etc.

Isso é diferente para uma publicação que quer fugir da rigidez moderna e partir para a imprevisibilidade, questionando o receptor a todo o momento, assim como explica Kopp: “As características gerais do pós-modernismo se referem a uma estética que rompe com a previsibilidade e assepsia do alto modernismo. Os elementos decorativos, aquilo que era considerado `inútil’ pelos modernistas rígidos, retornaram como recurso visual. A geometria é utilizada de forma descontraída, ou seja, pouca ou completamente despreocupada com a clareza e legibilidade. Passa-se a usar formas livres e flutuantes (diferentes do triângulo, círculo, quadrado). Tendência a fragmentar imagens e criar múltiplas camadas (fotos sobre textura, por exemplo). Uso de espaçamentos tipográficos aleatórios e mistura de pesos e estilos de tipo dentro de uma mesma palavra. Opção por colagens, paródias e citações históricas do design e da arte. Inclusão do ruído (sujeira, imperfeições, rompimento com o acabamento `limpo’, etc.) como
elemento visual. De uma forma geral, essas características encontram-se nos movimentos que, inconscientes disso ou não, fazem parte das raízes do design pós-moderno.
” (KOP, Rudnei. Design Gráfico Cambiante, Editora EDUNISC)

È o caso da revista Ray Gun, uma revista destinada ao público surfista, com
projeto de David Carson. Nesta publicação, Carson trabalhou a ilegibilidade,
substituindo a fonte comumente utilizada por uma dingbats (fonte de símbolos gráficos ao invés do alfabeto), atitude que certamente incomodou, questionou e “cutucou” diversos leitores da publicação.

E hoje? “(…) um tipo de prática que transita entre esses dois extremos
[canônico/moderno e não-canônico/pós-moderno], abarcando todas as
possibilidades, como se chama? É modernista por romper com as práticas
anteriores? É pós-modernista por ser plural, sincrético, mestiço?
” (Kopp, 2004).

É cambiante ou supermoderno a denominação que os estudiosos colocam para o design contemporâneo, que têm como adjetivos flexível, transitório, fugido, cambiante, etc. Esse design que busca vender, transmitir, questionar, buscando referências de diversas escolas e estilos do passado, “(…) Não está ligado a algum pós-modernismo, tampouco a modernismos. Usufrui dos seus estilos e das suas técnicas, sem se identificar por longo tempo com cada um.” (Kopp, 2004).

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AULA 03 – Noturno PP – 15.03.2010

A aula de Linguagens Contemporâneas do dia 15/03 foi baseada na primeira parte do livro “O Mundo Codificado”, de Vilém Flusser, entitulada “Coisas”. Inicialmente, o professor Dorival deu uma introdução no assunto a ser discutido e citou a busca da cultura pela desmaterialização desde a década de 60, tendo como exemplo uma bienal em São Paulo ocorrida na década de 80. A desmaterialização não quer dizer que todas as coisas vão desaparecer e não existirão mais móveis ou objetos, mas refere-se às coisas num outro plano, diferente. A expressão “não-coisas” usada pelo autor não se opõe às “coisas”, apenas referem-se a elas em outro plano.

Atualmente, os próprios conceitos estão se desmaterializando. E podemos citar a instituição casamento como um exemplo disso. O casamento, hoje em dia, não existe mais da forma como antigamente, é entendido de outra maneira. Não significa mais a união de um homem e uma mulher perante a lei e a Igreja, nos nossos tempos as pessoas apenas moram juntas, e ocorre de comumente serem até do mesmo sexo.

Em seguida, referindo-se ao primeiro capítulo do livro, “Forma e material”, o professor fez a seguinte questão: como fazemos para informar o material? Daí, a conversa realmente começou…

“Forma” e “material” são palavras-chave de qualquer curso de Design, Arquitetura e Artes. Podemos preencher a forma com o material que quisermos e devemos pensar em materiais diferentes para fazer um mesmo objeto. A matéria não é algo imutável, é um aglomerado de energia e não a informamos mais como antigamente. Em seguida, falamos que as próprias formas comunicam, passam alguma informação. Uma cadeira, por exemplo, através de suas formas, comunicam ao usuário a maneira de sentar.
Flusser questiona a certeza das coisas. Assim como atualmente não temos mais a certeza das quatro estações bem definidas (primavera, verão,outono, inverno), pois em alguns lugares mesmo nas estações quentes chega a fazer muito frio, para ele, nós criamos “inverdades” para preencher nosso mundo. Será que não é preciso levar em conta as incertezas em nossos projetos? No Japão, a construção dos prédios leva em consideração a incerteza dos terremotos.

Avançando um pouco na discussão do texto, conversamos sobre as ferramentas, as máquinas e as fábricas. O homem deve ser entendido por sua relação com as ferramentas, que são como uma extensão do seu corpo. Inicialmente, o ser humano podia fabricar em qualquer lugar, pois produzia com as próprias mãos. Acabamos criando o conceito de fábrica como sendo um lugar específico, mas o mundo caminha pra era das não-fábricas, onde perderemos essa visão da fábrica como um espaço confinado, e com a ajuda da tecnologia passaremos a produzir em qualquer lugar. Estamos retomando a mobilidade. Muitas empresas já oferecem aos seus funcionários trabalharem em casa, em seus próprios computadores. Até mesmo os processos estão se desmaterializando.

O professor enfatizou o fato de estarmos criando coisas que estão atrapalhando mundo, que estão virando lixo. Criamos tantas coisas, que consideramos belas, sem levar em conta que ao nosso redor o mundo continua girando. Enquanto pensamos num design melhor para os galões de água, queimamos combustível e prejudicamos o planeta para o seu transporte. Achamos lindo comprar um tênis de marca, enquanto o trabalho infantil é explorado na China para a confecção daquele calçado. Estamos criando objetos “sem alma”, feitos em série e expurgados por uma máquina.

Sobre o capítulo “Por que as máquinas de escrever estalam?”, falamos sobre como Flusser mistura universos, ele diz que podemos descrever tudo com fórmulas, mas nem sempre com palavras. Passamos a mexer nas fórmulas para obtermos resultados desejados, como fazem os geneticistas para alterar o genoma humano. Nós artificializamos o mundo, limitando tudo a uma linha. O mundo é naturalmente caótico, todo em hipertexto, não pode ser limitado ao espaço de uma linha, ser totalmente ordenado. Precisamos sair dessa linha, sair do artificial, retomar o natural. Conectar é natural da nossa linguagem e através das próprias máquinas podemos retomar esse conceito.
Já vivemos num mundo de não-coisas, o universo é bem maior…

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O Mundo Codificado – As Coisas

Diurno, Aula 03 – 15.03.2010

O ovo é tão óbvio que ninguém vê”
Clarisse Lispector

COISAS

Vilém Flusser, o autor de “O Mundo Codificado”, dividiu seu livro em três partes principais, em que ele caminha com o leitor falando basicamente do mundo atual, suas mudanças, suas linguagens e a relação de tudo isso com o design. Flusser não faz isso como em qualquer livro técnico de design, mas também expondo a essência dos conceitos relacionados ao design.

Na Aula 3, os alunos se reuniram e fizeram a primeira mesa redonda sobre o livro, e discutiram o primeiro dos três capítulos chave do livro, “Coisas”, que reúne vários textos de Flusser. Logo no início, ele explica que os termos “imaterial” e “material” não se excluem e que um também não é o contrário do outro, como comumente se pensa, assim como “coisas” e “não-coisas” não são palavras que indiquem oposição. Para ele, as coisas se encontram em um plano material, enquanto as não coisas se encontram num plano temporal, e que na contemporaniedade não vigora mais o conceito de espaço e sim a noção de tempo.

A linguagem da contemporaniedade é ditada pela velociadade em que o mundo muda, de forma que não devem nos importar mais os objetos. Eles não são verdadeiros, e sim a informação que eles contém de fato, é que existe. O autor exemplifica esse pensamento com a idéia de “mesa”: em que a mesa em si, a idéia de mesa, é essencialmente de uma superfície sustentada, essa é a forma da mesa, e essa forma é “in-material”, ela informa um material a se tornar mesa. Sendo assim, a matéria física,  é organizada como “mesa” a partir desta forma, e só a partir dela que o aço, madeira ou garrafas pet são organizados como mesa. Hoje em dia, a cultura digital possibilia que muitas das coisas não sejam mais importantes em sua forma espacial, e isso tende a ser cada vez mais comum.

Devido a estas mudanças, o autor diz que a forma supera a matéria pela qualidade de ser eterna, de ser imutável como idéia, e que o objeto de trabalho do designer de hoje e de amanhã projetar dessa maneira, de forma a alterar os conceitos atuais, mudar os paradigmas de hoje.

O designer deve projetar a alma dos objetos

Também foi discutido um assunto importante tanto para designers como para historiadores e antropólogos, que são as fábricas, porquê elas, como conhecemos, não deverão existir no futuro. O homem caminha para um destino em que não será mais escravo de suas máquinas, como é nos dias de hoje. O mundo privilegiado não será mais o das ações, e sim o das sençações.

Dorival lembrou também a importância da Bauhaus, na invenção do ideal de reprodutibilidade de produtos e objetos, que foi extremamente importante para a época, mas que hoje as necessidades do mundo são outras. No ambiente pós-guerra que a Bauhaus se situava, o importante era a fabricação rápioda e econômica de objetos para a Europa, que precisava se reerguer. Mas hoje em dia não faz mais sentido projetar assim em ambientes que não necessitem mais dessa urgência impressa nos objetos. O que deve ser projetado de hoje em diante é a alma que os objetos irão carregar.
Para entender melhor algumas questões sobre a “alma” do um objeto leia o texto de Wlater Benjamin, “A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica“.

Na época da Bauhaus, o mandamento era de “Forma segue a Função”, e foi depois substituído por “Forma segue Forma”, e hoje devemos projetar “Formas que seguem a Ficção.” Dadas as necessidades atuais o designer não é mais responsável por projetar novos objetos, e sim projetar novos mundos, novas realidades, e que estas realidades novas façam uma mudança de paradigma nas pessoas, tirando-as do seu estado de conforto, e abrindo novas caminhos para os sentimentos e para a mente. Isso soa um tanto utópico, mas simples diferenças de atitudes podem identificar uma cultura ou outra. Foi discutido um exemplo disso em aula, com os modos de sentar oriental e ocidental. No ocidente, a utilização de cadeiras na maior parte dos ambientes coloca nossos olhos num plano que privilegia determinadas coisas. Já os orientais, por terem seu assento geralmente na altura do chão, estruturam pontos de vista absurdamente diferentes.

O designer  questiona o ato de sentar

A discussão desta aula foi basicamente neste ponto, o das realidades diferentes, e como os paradigmas de cada realidade são responsabilidade do designer, e são esses novos paradigmas que ele tem que desenhar hoje. Não importa mais qual será a forma da próxima cadeira da moda, mas o que se devemos começar a fazer é refletir sobre o ato de sentar. Foi falado também sobre a “Roda”, outro objeto de estudo deste trecho do livro, e sobre sua invenção. A própria invenção da roda foi uma mudança de paradigma, foi uma quebra no modo de pensar das civilizações antigas, imagine: um povo que ganhou o poder de mudar o curso da água, isso foi uma enorme evolução. E para não perder a oportunidade, emprestamos um conceito da biologia, que diz que: Evolução não significa exatamente melhoria, e sim mudança. A nova evolução precisa acontecer para qe se mudem os paradigmas do mundo atual, e ela já começou. A roda do mundo de hoje, são as fórmulas que o ditam. Assim como as imagens de telas eletrônicas só existem devido a organização que se tem de seus códigos, os projetos contemporâneos devem ser pensados e realizados de forma a organizar os códigos das realidades.

E assim entramos no ultimo capítulo da primeira parte do livro: “Por que as máquinas de escrever estalam?”. Vivemos num mundo mecânico, um mundo que gagueja, que estala. Este mundo não desliza como fazem tão precisamente os artistas do Cirque du Soleil, o mundo é travado. Para destravá-lo, somente extraindo dele sua verdadeira forma: os códigos que o moldam. Esses números são o mundo de hoje, são os bits, não porque ele sempre foi assim, mas porque são eles que movem o mundo de hoje. Se as letras quiserem sobreviver, devem simular os números, e é por isso que as máquinas de escrever estalam.

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Hello Mundo!

“Linguagem é um elemento de compreensão da realidade, é um dos meios que temos para lidar social e individualmente com um mundo mutante e indeterminado.”
Roger L. Taylor

“Linguagens Contemporâneas” é uma disciplina ministrada pelo Professor Dorival Rossi no curso de Design da UNESP de Bauru. Este blog tem como objetivo divulgar periodicamente novidades a respeito do curso, informações relacionadas ao Design enquanto fenômeno híbrido e transdisciplinar, bem como a repercussão que a disciplina causa nos alunos e envolvidos

Além do blog, atualizações serão feitas via Twitter e Flickr, para que assim alunos de Design de todo o Brasil tenham acesso às informações aqui divulgadas. Acesse também os arquivos do blog, lá você encontra a maioria dos livros da blibliografia do curso, eles estão postados tanto no MediaFire, quanto no 4Shared e  endereços estão ao lado, na barra lateral.

No final do post se encontra o link para download do programa e de alguns arquivos da bibliografia da disciplina. Dentre os livros indicados pelo professor Dorival, um deles é o que dá vida à disciplina. O livro “O Mundo Codificado”, de Vilém Flusser, já está sendo lido pelas três turmas em que o curso é dado. Segundo Dorival, este livro, que tem a capa predominantemente roxa, é a BÍBLIA do design contemporâneo. Ao longo do semestre ele será muito mencionado no blog.

Outro texto foi estudado logo na primeira aula, do livro “A Era das Máquinas Espirituais”, de Ray Kurzweil, foi extraído um trecho revelador que faz uma cronologia do futuro próximo de acordo com os caminhos que tem levado a ciência e a tecnologia ao estado que se encontram hoje.É importante termos consciência dessas previsões, já que o design faz parte dessas mudanças, muitas vezes adiantado-as.

Quem fará as atualizações do blog? Um grupo de alunos intitulado “Cibermotores”, que se uniu de forma colaborativa. Esse termo vêm de um congresso internacional que Dorival participou, o Cibersociedad, cujo principal objetivo é discutir o ciberespaço nas ciências humanas e sociais. No entanto, todo aquele que tiver sugestão de conteúdo para o blog é livre para enriquecê-lo. O e-mail para contato é cibermotores@gmail.com.

Links

Trecho online de “O mundo Codificado”, de Vilém Flusser:
http://tinyurl.com/omundocodificado

Livros e textos da disciplina no 4Shared

Livros e textos da disciplina no MediaFire

Cronograma da Disciplina, disponível no 4Shared e no MediaFire

Acompanhem as nossas atualizações ! =)


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Linguagens Contemporâneas:

Design e Mobilidade

A disciplina de Linguagens Contemporâneas, do curso de Design da UNESP de Bauru, ministrado pelo Professor Dorival Campos Rossi, é o ponto de partida para uma investigação sobre a cibercultura, a Net Art e todas as outras formas de expressão hipertextual, seja ela real ou virtual.
Acompanhe nossas atualizações!

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