AULA 03 – Noturno PP – 15.03.2010

A aula de Linguagens Contemporâneas do dia 15/03 foi baseada na primeira parte do livro “O Mundo Codificado”, de Vilém Flusser, entitulada “Coisas”. Inicialmente, o professor Dorival deu uma introdução no assunto a ser discutido e citou a busca da cultura pela desmaterialização desde a década de 60, tendo como exemplo uma bienal em São Paulo ocorrida na década de 80. A desmaterialização não quer dizer que todas as coisas vão desaparecer e não existirão mais móveis ou objetos, mas refere-se às coisas num outro plano, diferente. A expressão “não-coisas” usada pelo autor não se opõe às “coisas”, apenas referem-se a elas em outro plano.

Atualmente, os próprios conceitos estão se desmaterializando. E podemos citar a instituição casamento como um exemplo disso. O casamento, hoje em dia, não existe mais da forma como antigamente, é entendido de outra maneira. Não significa mais a união de um homem e uma mulher perante a lei e a Igreja, nos nossos tempos as pessoas apenas moram juntas, e ocorre de comumente serem até do mesmo sexo.

Em seguida, referindo-se ao primeiro capítulo do livro, “Forma e material”, o professor fez a seguinte questão: como fazemos para informar o material? Daí, a conversa realmente começou…

“Forma” e “material” são palavras-chave de qualquer curso de Design, Arquitetura e Artes. Podemos preencher a forma com o material que quisermos e devemos pensar em materiais diferentes para fazer um mesmo objeto. A matéria não é algo imutável, é um aglomerado de energia e não a informamos mais como antigamente. Em seguida, falamos que as próprias formas comunicam, passam alguma informação. Uma cadeira, por exemplo, através de suas formas, comunicam ao usuário a maneira de sentar.
Flusser questiona a certeza das coisas. Assim como atualmente não temos mais a certeza das quatro estações bem definidas (primavera, verão,outono, inverno), pois em alguns lugares mesmo nas estações quentes chega a fazer muito frio, para ele, nós criamos “inverdades” para preencher nosso mundo. Será que não é preciso levar em conta as incertezas em nossos projetos? No Japão, a construção dos prédios leva em consideração a incerteza dos terremotos.

Avançando um pouco na discussão do texto, conversamos sobre as ferramentas, as máquinas e as fábricas. O homem deve ser entendido por sua relação com as ferramentas, que são como uma extensão do seu corpo. Inicialmente, o ser humano podia fabricar em qualquer lugar, pois produzia com as próprias mãos. Acabamos criando o conceito de fábrica como sendo um lugar específico, mas o mundo caminha pra era das não-fábricas, onde perderemos essa visão da fábrica como um espaço confinado, e com a ajuda da tecnologia passaremos a produzir em qualquer lugar. Estamos retomando a mobilidade. Muitas empresas já oferecem aos seus funcionários trabalharem em casa, em seus próprios computadores. Até mesmo os processos estão se desmaterializando.

O professor enfatizou o fato de estarmos criando coisas que estão atrapalhando mundo, que estão virando lixo. Criamos tantas coisas, que consideramos belas, sem levar em conta que ao nosso redor o mundo continua girando. Enquanto pensamos num design melhor para os galões de água, queimamos combustível e prejudicamos o planeta para o seu transporte. Achamos lindo comprar um tênis de marca, enquanto o trabalho infantil é explorado na China para a confecção daquele calçado. Estamos criando objetos “sem alma”, feitos em série e expurgados por uma máquina.

Sobre o capítulo “Por que as máquinas de escrever estalam?”, falamos sobre como Flusser mistura universos, ele diz que podemos descrever tudo com fórmulas, mas nem sempre com palavras. Passamos a mexer nas fórmulas para obtermos resultados desejados, como fazem os geneticistas para alterar o genoma humano. Nós artificializamos o mundo, limitando tudo a uma linha. O mundo é naturalmente caótico, todo em hipertexto, não pode ser limitado ao espaço de uma linha, ser totalmente ordenado. Precisamos sair dessa linha, sair do artificial, retomar o natural. Conectar é natural da nossa linguagem e através das próprias máquinas podemos retomar esse conceito.
Já vivemos num mundo de não-coisas, o universo é bem maior…

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Linguagens Contemporâneas:

Design e Mobilidade

A disciplina de Linguagens Contemporâneas, do curso de Design da UNESP de Bauru, ministrado pelo Professor Dorival Campos Rossi, é o ponto de partida para uma investigação sobre a cibercultura, a Net Art e todas as outras formas de expressão hipertextual, seja ela real ou virtual.
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