Designers, perfeitos enganadores

Aula 04- Noturno PP – dia 29.03.2010

A última parte do livro “O mundo codificado”, de Vilém Flusser, entitula-se “Construções” e é, sem sombra de dúvidas , a parte mais poética, voltada completamente ao designer.

Para o autor, nós, designers, somos conspiradores dedicados a fazer armadilhas, perfeitos enganadores. Assim como criamos a alavanca para enganar a força da gravidade, trocamos o natural pelo artificial para tornar a vida mais útil.

O design simboliza a união entre a técnica e a arte, numa junção que mantém as características diferentes de cada uma. O universo dos artistas difere-se completamente do universo das tecnologias. Mas o contemporâneo nos cobra projetos em que haja essa união entre arte e ciência, a fim de criar objetos que nos ajudem na solução de problemas atuais.

O designer é aquele que vê o mundo com os olhos da alma, capaz de olhar para a eternidade, para o futuro. Dessa forma, passa a ser visto de forma profética, como os mesopotâmicos que observavam o curso dos rios e construíam canais que preveniam as secas e as inundações.

Atualmente, já somos capazes de criar o “imaterial”, separando os objetos da matéria, como programas de computador e redes de comunicação.

Podemos dizer que os mundos online e offline coexistem, ainda que esses processos sejam diferentes e o offline ainda se apresente maior que o online. Eles apresentam modos distintos de olhar, e tendem a evoluir e se nivelar, igualando-se.

Flusser compara o Oriente e o Ocidente, analisando como os objetos e a nossa interação com eles nesses dois mundos se dá de forma diferente. No Ocidente, o design revela um homem que interfere no mundo, enquanto no Oriente ele é o modo como os homens emergem do mundo.

Os designers sempre foram muito voltados apenas para o desenvolvimento dos objetos, sem olhar para o processo de criação como um todo, muitas vezes gerando problemas que não tinham sido levados em conta. Há pouco tempo passamos a ter um olhar mais responsável por nossos projetos, pensando na sustentabilidade, com mais consciência do lixo gerado e das conseqüências de nossas criações.

Esse design voltado apenas ao objeto poderia ser considerado “profano”. Por trás de cada traço, de cada projeto, há um fazer consciente. E esse fazer consciente se aproxima de um fazer sagrado.

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Linguagens Contemporâneas:

Design e Mobilidade

A disciplina de Linguagens Contemporâneas, do curso de Design da UNESP de Bauru, ministrado pelo Professor Dorival Campos Rossi, é o ponto de partida para uma investigação sobre a cibercultura, a Net Art e todas as outras formas de expressão hipertextual, seja ela real ou virtual.
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