Aula 6 (05/04/2010) – Noturno – Produto

O real e o virtual foram os focos principais da discussão da aula de Linguagens Contemporâneas do dia último dia 05, baseada no livro “O que é o virtual” do francês Pierre Lévy (São Paulo: Ed. 34, 1995).

Fazendo uma referência ao texto de Flusser, anteriormente discutido, falamos inicialmente sobre os processos online e offline e como ainda apresentam desníveis, sendo o processo offline ainda muito mais utilizado até hoje.

O texto de Pierre Lévy relembra que, no senso comum, virtual e real são coisas opostas, mas para o autor eles não são opostos. As pessoas consideram real o que é palpável e virtual como o não-palpável, ausente de existência, mas ambos apresentam a mesma natureza. O virtual pode se opor ao atual, mas não se opõe ao real.

Todos os projetos contemporâneos estão inseridos de alguma forma no universo virtual. Mas o virtual não se limita a desenhos feitos no mundo digital. A questão não é desenhar as mesmas coisas em softwares novos, mas trabalhar um conceito novo. O digital é a linguagem que atualiza o virtual. Projetar através da não-coisa é utilizar o virtual.

A palavra virtual deriva do latim “virtus”, que significa “força”, “potência”. Portanto, o virtual é aquilo que existe, faz parte do real e existe enquanto potência, mas ainda não foi realizado. Uma semente, por exemplo, é uma virtualização de uma árvore em potencial. Quando tem todas as condições favoráveis, ela se atualiza e se faz árvore.

A imaginação é considerada um “vetor de virtualização”, assim como a memória, o conhecimento e a religião, que não precisam ser provados. Essa última, por exemplo, é algo em que acredita, mesmo sem se ver.

Para Lévy, não nos localizamos no real, mas sim num local chamado realidade. A única coisa real que existe é o virtual. A dimensão do real é aquilo que está em potência, enquanto o virtual permanece no campo do invisível. Operar na natureza virtual é trabalhar com projetos que possam ser atualizados.

Os designers procuram uma forma nova de representar todas as dimensões em seus projetos, sem o uso de desenhos mirabolantes e chiques, sem o uso de diversos cortes, mas com uma forma nova de desenhar. As linguagens digitais permitiram que se chegasse à representação da terceira dimensão, e acreditava-se que se chegaria apenas até ai. Mas somos seres pluridimensionais, os objetos não possuem apenas três dimensões, tem N dimensões e por isso existe o estudo da holografia, que permite a visualização das coisas como um todo, ultrapassando o limite do 3D.

Além da dualidade real X virtual, outra confusão comum é opor o caos e a ordem. Precisamos parar de projetar coisas antagônicas. A ordem representa uma ordenação, enquanto o caos é uma organização, uma hiperorganização de natureza virtual. Não tem nada a ver com desordem. Assim como separamos partícula de onda, mas a física quântica prova que ambos tem a mesma natureza. Eles são capazes de ativar a subjetividade de nossos mundos.

Na Idade Média, o mundo dividia-se em química e alquimia, e com o tempo as coisas acabaram indo pelo caminho da química, por ser mais exato. Mas o mundo está caminhando para o retorno à alquimia, estamos em busca do subjetivo. Buscar a alma dos objetos significa buscar a subjetividade deles.

Como podemos produzir subjetividade? Ainda estamos no começo de uma nova era, que alguns autores dizem ser apenas uma condição e não um estilo de vida. Não conseguimos ainda atualizar todas as potências do virtual, está tudo muito confuso ainda porque vivemos tudo concomitantemente.

No dia-a-dia não temos mais certeza de nada. É com esse principio de incerteza que os projetos estão seguindo.

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Linguagens Contemporâneas:

Design e Mobilidade

A disciplina de Linguagens Contemporâneas, do curso de Design da UNESP de Bauru, ministrado pelo Professor Dorival Campos Rossi, é o ponto de partida para uma investigação sobre a cibercultura, a Net Art e todas as outras formas de expressão hipertextual, seja ela real ou virtual.
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